No último dia 13 o Brasil parou para assistir as notícias relacionadas a morte  de Eduardo Campos, candidato a Presidência da República. Entretanto, a imprensa e muitos políticos não conseguiram disfarçar a preocupação com o futuro das eleições de outubro. O foco foi a morte do político não do homem Eduardo Campos.

Foi ridículo como a imprensa e alguns políticos se manifestaram diante da notícia da morte do Presidenciável. Nesse dia, o cinismo estava solto no semblante de vários políticos.

O Rebuliço político gerado pela morte de Eduardo Campos

Muitos que criticavam a candidatura de Eduardo Campos, que ridicularizavam a coligação dele com Marina Silva e que o acusaram de nepotismo, antiético, vieram com a face de prantos expressar os sentimentos pela perda do amigo político. Pura falsidade!

Até pouco tempo atrás o homem era um crápula, hoje, no entanto, o homem é considerado o herói nacional. Até onde podemos distinguir o ataque político do ataque pessoal? Será que ainda vale o bordão que “fulano é meu adversário político, entretanto, é meu amigo pessoal”? Que amizade é essa? Que consideração é essa? Que amizade pode ter em um meio onde o conhecido de ontem é amigo hoje e pode ser inimigo político amanhã?

Essa relação é a mesma relação que encontramos em indivíduos (animais) da savana africana, onde quem consegue sobreviver é o maior e o mais forte em detrimento do respeito e da consideração.

A sombra da hipocrisia por trás da morte de Eduardo Campos

Dilma, Aécio e Eduardo formaram os principais nomes na disputa presidencial de 2014.

Essa ganância não é por acaso, tem números. Significa controlar um orçamento anual de R$ 2,48 trilhões. É isso mesmo que você entendeu: o orçamento anual do Brasil está na casa dos trilhões.

Esse número explica o porquê dos candidatos políticos se estraçalharem para ganhar as eleições custando o que custar. Ou você é do tipo de brasileiro que acredita que os candidatos estão preocupados contigo, sua família e com os problemas do Brasil?

Na televisão, o cinismo chegou a ser gritante. José Luiz Datena, apresentador do programa policialesco Brasil Urgente, desde que eu assisto televisão, sempre escrachou os políticos, difamando com os mais diversos nomes (concordo em parte).

Porém, na ocasião de sua morte, o Eduardo Campos foi tratado como o político mais honesto do planeta. Ora, quer dizer que político ruim é político vivo? Quando morre vira “anjo”.

Outros meios de comunicação não esperaram nem encontrar os “cacos” do corpo do político e já estavam discutindo as previsões políticas com a ausência de Eduardo do cenário político.

Especialistas foram convidados para prever o impacto dessa perca nas pesquisas eleitorais, se Marina iria crescer nas pesquisas, enfim. Enquanto isso, a família de Eduardo pouco era citada, o impacto da ausência do pai de família Eduardo Campos pouco era mencionado.

Esse comportamento de desprezo pela vida de alguns setores da sociedade não me surpreende. Se tratando de ano eleitoral, infelizmente, depararmos com esse tipo de comportamento é considerado normal para os padrões éticos do nosso país.

Entretanto, nós brasileiros e moradores de Bom Jesus da Lapa, temos sim que enfatizar a perda do candidato, mas jamais podemos esquecer que Campos, antes de ser um político, era um simples, ser humano mortal como qualquer outro, um pai de família que tinha uma esposa e 5 filhos que ficaram órfãos.

Por: Fábio Teixeira